Gilberto M. A. Rodrigues – 15 de marzo de 2011 – Desastres naturais, impactos humanos
Gilberto M. A. Rodrigues(*)
Já superamos a fase de atribuir os desastres naturais à ira dos deuses. Nas sociedades antigas  algumas sobrevivem ainda hoje  os grandes eventos naturais eram relacionados a castigos impostos, inapelavelmente, pelo divino aos mortais, tal qual pena a ser cumprida com todas as dores e sequelas a ela inerentes. Além do elemento religioso, pré-cientÃfico, a sabedoria milenar indica que catástrofes podem ser causadas pela ação humana.
No dia seguinte ao grande terremoto do Japão, as ameaças que pairam sobre a contaminaçãonuclear no paÃs recolocam o problema da atividade humana como causadora ou agravante dos eventos naturais. A Terra tem seus ciclos e suas dinâmicas; cabe ao ser humano adaptar-se a elas.
Terremotos sãoeventos totalmente naturais, previsÃveis na sua existência, mas não em sua ocorrência nem em sua extensão. O que fazer diante deles? Alertar, prevenir e reconstruir, diminuindo ao máximo o seu impacto negativo. Os japoneses têm sido exÃmios na aplicação dessa fórmula.
Entretanto, o Japão tem usinas nucleares, cujas plantas dependem de rÃgidos e sofisticados controles para evitar vazamentos e, no limite, impedir a explosão, cujas consequências funestas já são fartamente conhecidas pelo caso da Usina de Chernobyl, na Ucrânia.
Ora, se são tão perigosas, por que as usinas nucleares têm sido uma opção para paÃses sem outras fontes de energia fóssil ou renovável, como Japão, França e Alemanha? Hoje há duas respostas. Uma está relacionada à necessidade de ter mais autonomia interna e internacional na produção energética, que é um elemento chave para manter a economia em funcionamento, especialmente na era de informação em que praticamente tudo em nossa vida diária depende de energia.
A outra resposta é parte do atual debate sobre o aquecimento global: retomaram-se recentemente os projetos de usinas nucleares, consideradas mais limpas, porque não são emissoras de CO2.
A ameaça de uma contaminação nuclear em larga escala após o terremoto do Japão contribui para mostrar que a energia nuclear não é uma alternativa confiável ao combustÃvel fóssil. Os riscos gerados por elas podem ser ainda mais devastadores do que a força da natureza. Teimar nesse caminho não deixa de ser uma forma de provocação ao equilÃbrio e ao humor do planeta.
(*)GILBERTO M. A. RODRIGUES, PHD, PROFESSOR DA UNISANTOS E DA FASM, FOI FULBRIGHT VISITING SCHOLAR NA UNIVERSIDADE DE NOTRE DAME, EUA.
Fuente: A Tribuna –http://www.atribuna.com.br/noticias.asp?idnoticia=84129&idDepartamento=13&idCategoria=0










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